A realidade… e a nova realidade

tecnologias no mercado imobiliario

Foto: Arquivo

Como as novas tecnologias impactam no mercado imobiliário corporativo

fernando libardi buildings

Por Fernando Libardi, Diretor da Buildings

Décadas atrás, o mercado imobiliário corporativo era bem diferente: grande parte das ocupações eram em prédios de pequenos escritórios e as empresas que precisavam de mais espaço, as maiores, acabavam construindo seus próprios empreendimentos ou, até mesmo, ocupando casas. Com a evolução do mercado, as incorporadoras passaram a oferecer os empreendimentos corporativos, para locação, com lajes maiores, abrindo espaço para o conceito open space e para que as empresas sempre ocupem locais modernos e de acordo com o momento pelo qual passam, sem grandes dificuldades.

Com essa notável mudança, os ocupantes passaram a ter acesso a um sistema no qual a expectativa é sempre de algo melhor do que o anterior e, claro, mais tecnológico. Isso, juntamente com a concorrência do mercado que observamos há poucos anos, elevou o mercado brasileiro para padrões internacionais, até mesmo pela inserção dos conceitos sustentáveis na construção civil.
Mas por que estou abordando este tema? Vou utilizar este espaço para falar sobre tecnologia no mercado imobiliário e, esta situação que acabei de expor é uma prova de que os ocupantes estão cada vez mais exigentes. Se antes o foco deles era nos espaços maiores, atualmente, além deste ponto, a busca é por tecnologia e de infraestrutura para poder utilizá-la, além da eficiência no uso de espaços que os avanços proporcionam. E esse tipo de comportamento deve ser ainda mais presente nos próximos anos.

Mais moderno, mais eficiente

Mas o que é a tecnologia no mercado imobiliário? A resposta para esta pergunta não aponta somente para uma frente de trabalho. Primeiramente, podemos mencionar o uso da tecnologia cloud (nuvem). Para quem ainda não domina completamente o tema, trata-se da hospedagem de dados em nuvem, ou seja, em servidores remotos. A princípio, essa tecnologia reduz o uso de servidores fixos (consequentemente, de espaço para eles), já que os dados são armazenados remotamente. Mas não é só isso: o grande impacto no trabalho das empresas que usam cloud é a possibilidade de acesso remoto, ou seja, uma vez que as informações estão em nuvem é possível acessá-las de qualquer lugar, até mesmo por meio de smartphones.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o mercado imobiliário corporativo. E eu respondo: tudo! Antigamente, as empresas tinham a necessidade de ter pessoas nos escritórios, consultando, organizando e fazendo a manutenção de quilos e quilos de arquivos em papel. Com o avanço da internet e de sistemas de acesso remoto, além da tecnologia cloud, isso não é mais necessário. Obviamente, muitas vezes, é necessário reter documentos em papel, por questões legais, mas a digitalização deles faz com que a consulta possa ser feita via web.

Como resultado dessas possibilidades, juntamente com o avanço da internet via banda larga, muitas empresas destinam equipes para home office, reduzindo os espaços locados. Estes profissionais, então, vão à empresa esporadicamente, para apresentar relatórios e fazer reuniões, por exemplo. Muitos, inclusive, optam por utilizar espaços de coworking para determinadas atividades.

Se você ainda não pratica home office na sua empresa, deve estar se perguntando se isso realmente dá resultados. Certamente, não é tão fácil responder isso diretamente, pois, para checar a eficiência, é preciso entender os diversos ramos de atividade. Contudo, um indicador do sucesso do modelo são os resultados da pesquisa Home Office Brasil, realizada pela consultoria SAP, que trabalha com Recursos Humanos. Segundo os resultados da edição de 2016 do estudo, que contou com respostas de 325 empresas de diferentes setores e portes, houve um aumento de 50% de empresas que estão implantando a prática, em relação à mesma pesquisa de 2014. Além disso, 15% das empresas estão estudando a implantação e 28% estão trabalhando na  formalização. Esses resultados mostram, entre outras coisas, a busca por redução de custo e o uso mais eficiente de espaços corporativos e, certamente, indicam uma tendência de impacto no mercado, tanto no que diz respeito à metragem ocupada quanto aos possíveis novos modelos de ocupação, menores e mais flexíveis.

Ver para crer… e gostar

Outras novas tecnologias apontam para um mercado imobiliário mais moderno eficiente. Novas possibilidades, como realidade virtual e realidade aumentada, tendem a mudar muito a forma como o trabalho acontece. Você já imaginou visitar um espaço para uma possível filial da sua empresa em qualquer lugar no mundo, sem sequer precisar sair da sua sala? Sim, isso é possível e de formas cada vez mais reais.

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Recentemente, vimos algumas empresas de telefonia celular potencializando o uso de óculos de realidade virtual, por meio de promoções. Esse tipo de acessório trabalha com base em algo que já existia, que podia ser utilizado nos smartphones. Contudo, agora a experiência tende a ser muito mais real. Além da geolocalização, é feito o uso de outros sensores dos aparelhos, como o sensor giroscópico, que detecta a posição fina (para qual lado o usuário está virado, por exemplo), permitindo visualizações em 360°. Isso, juntamente com tecnologias de foto e vídeo, permite que as pessoas praticamente estejam dentro de outros lugares e possam, inclusive, se “movimentar”, ainda que não saiam do lugar.

Além da realidade virtual, outro tema que têm sido bastante falado é a realidade aumentada. Neste caso, é possível, por exemplo, visualizar, dentro de uma realidade virtual ou, até mesmo, pela câmera do celular, como certo espaço ficará quando decorado, ou mudar a cor das paredes, entre outras tantas possibilidades. E tudo isso pode ser feito de forma que o usuário consiga, ainda, passear pelo local. Não é difícil imaginar como tal novidade pode impactar no trabalho de empresas de real estate e de decoração, por exemplo, entre tantas outras que estão envolvidas no mercado imobiliário corporativo.

Falando dessa forma, aquela velha sala de arquivos e as difíceis, demoradas e repetidas visitas com corretores em diversos locais ficam bem estranhas, não? O que as empresas do mercado imobiliário, assim como as de diversos ramos, precisam entender é que a adaptação a esses conceitos não basta: é preciso saber aproveitá-los das melhores formas. Estamos em vias de receber uma geração ainda mais tecnológica e que não tem ideia de como é a vida sem internet, sem smartphones, telas de toque e sem todos avanços tecnológicos que muitos de nós vimos nascer, isso sem falar das novas tecnologias que podem surgir. Basta você ver a questão por esse ponto de vista para entender se, realmente, a sua empresa não precisa ser parte ativa (e criativa) de todo esse processo para ser bem-sucedida.

 

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5 Comments

  1. Ideals Reply

    Um excelente artigo, realmente. Lembro-me que recomendo o uso de salas de dados virtuais para manter as informações de negócios protegidos perfeitamente contra espionagem e vazamento de dados.

  2. Vicente de Paulo C Fonseca Reply

    Uma excelente matéria, toda informação sobre o mercado é um guia importante para as mais variáveis tomadas de decisões por parte do investidor ou consumidor do produto final. Quanto maior a demanda de um segmento qualificado de mercado, maior é a oportunidade de se traçar uma estratégia para atender às sua principais tendências.

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